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Colocar um cartão de fidelidade na carteira do celular


Normalmente não existe botão de “adicionar à carteira” porque o passe precisa ser criado e assinado por quem emitiu o cartão, e quase nenhuma cafeteria, academia ou supermercado criou um. O que funciona é transformar o cartão em passe você mesmo: no iPhone, um passe assinado que cai na Apple Wallet; no Android, um aplicativo que guarda o código de barras e o mostra em tela cheia. E o detalhe que decide se o caixa vai ler é o formato do código, não o número.

Por que o botão não aparece

A Apple Wallet não guarda fotos de cartões. Ela guarda arquivos .pkpass: pacotes pequenos e assinados que contêm o conteúdo do código de barras, o formato dele, os campos que aparecem na tela e um certificado que prova quem o fez. A assinatura é o ponto todo — é ela que impede qualquer um de gerar o próprio cartão de embarque.

A consequência é direta. Se a rede de lojas do seu bairro nunca se registrou como emissora de passes, não existe passe para adicionar, e nenhum ajuste da Apple Wallet muda isso. A Google Wallet funciona da mesma forma com os programas de fidelidade parceiros.

Então a pergunta prática não é “como eu adiciono este cartão”, e sim “quem vai fazer um passe a partir dele”.

O que um leitor precisa de verdade

Esta é a parte que falta em quase todo guia, e é a que decide se você vai ficar parado no caixa reabrindo um aplicativo.

O formato certo. Um código de barras não é um número; é um número codificado numa simbologia específica. Os códigos de listras compridas dos cartões de fidelidade costumam ser Code 128 ou Code 39, os códigos de produto são EAN-13 e os quadrados são QR ou Aztec. Os mesmos dígitos na simbologia errada produzem um código que parece plausível e não é lido por nada.

Tamanho e contraste suficientes. Um passe mostra o código sozinho, grande, preto no branco. Uma foto do cartão inteiro mostra um código de dois centímetros com um logotipo do lado, no brilho em que o celular estava.

Uma tela que o leitor consiga ler. Os leitores de câmera — o vidro plano da maioria dos caixas de supermercado — leem telas sem problema. Os leitores a laser de mão não leem uma tela em brilho nenhum, porque funcionam com luz laser refletida. Quando alguém do balcão diz “no celular não funciona”, normalmente é por isso, e não é algo que um aplicativo consiga resolver.

No iPhone

  1. Veja se a loja já publica um passe. O botão de adicionar à Apple Wallet, quando existe, fica no aplicativo da própria loja ou no fim de um e-mail de compra. Essa é sempre a melhor opção — um passe de verdade atualiza o saldo.
  2. Se não houver, gere um. Um aplicativo que lê o cartão e produz um .pkpass assinado coloca o cartão na Wallet de verdade: na tela bloqueada, na lista do clique duplo, organizado junto com todo o resto.
  3. Confira o código de barras contra o cartão na primeira vez, antes de depender dele. Compare os dígitos impressos embaixo do código do cartão com os dígitos embaixo do código gerado.

No Android

A Google Wallet aceita cartões de fidelidade de programas parceiros, e existem muito menos programas desses do que cartões de fidelidade. Para todo o resto, o que funciona no caixa é um aplicativo que guarda o código e o mostra em tela cheia, com o brilho aumentado.

Isso é menos elegante que uma carteira do sistema e funcionalmente idêntico na hora da leitura. O que você perde é o acesso pela tela bloqueada e o aplicativo aparecer sozinho; o que você mantém é um código que é lido.

O que um passe gerado não vai fazer

Vale saber antes de trocar um maço de plásticos por uma tela de celular.

Ele não vai atualizar o próprio saldo. Um passe de verdade emitido pela loja pode receber um novo total de pontos, uma nova validade, uma nova oferta. Um passe gerado a partir de uma foto é um retrato do código: o código continua funcionando, porque o código é só o número da sua conta, mas o número de pontos impresso nele fica congelado no momento em que você o criou. Para um cartão de fidelidade isso costuma dar na mesma — o caixa consulta o saldo pelo número. Para qualquer coisa com valor que muda, não dá.

Ele não sobrevive à reemissão do cartão. Cartão novo, número novo, passe novo.

Ele não é um cartão de pagamento. Nenhuma das duas carteiras deixa você gerar um, e nada que dependa do chip ou da tarja magnética pode ser reproduzido a partir de uma foto da frente. Esse limite é deliberado nas duas plataformas, e é o mesmo instinto por trás de tudo o que está na página de Ferramentas: fazer uma coisa direito em vez de fazer a coisa ao lado mal feita.

Ele pode não ser bem-vindo em todo lugar. Alguns programas de fidelidade dizem nas condições que o cartão é deles e não pode ser copiado. Na prática ninguém reclama de um código numa tela, mas um passe de museu ou um bilhete de transporte nominal é uma conversa diferente de um cartãozinho de carimbos de cafeteria.

Como colocar o número sem digitar

Digitar dezesseis dígitos de um cartão gasto é onde isso costuma dar errado. O caminho rápido é uma foto: aponte a câmera para o cartão e deixe o aplicativo ler tanto os dígitos quanto a simbologia do código impresso.

O AI Wallet Pass é o que fizemos para esse passo. Você fotografa o cartão, ele extrai o número e o formato do código de barras, e produz um passe assinado para a Apple Wallet no iOS ou guarda o passe na carteira própria dele no Android.

Um passe de fidelidade na carteira, com o nome da loja acima de um código de barras que ocupa toda a largura
O que o caixa precisa: o código sozinho, grande, com o brilho no máximo — não uma foto do cartão.

Um detalhe merece ser dito com clareza, porque é justamente o que se deve conferir em qualquer aplicativo desse tipo: ler um cartão exige um servidor, já que o modelo de extração não roda no celular. O conteúdo do código de barras em si fica no aparelho — o serviço de extração só recebe uma foto com o código tapado, e o número nunca chega até ele. A exceção estreita é a chamada de assinatura, que precisa do conteúdo pelo tempo necessário para montar o passe assinado e nunca o grava em lugar nenhum. Isso é uma restrição imposta pelo formato da API, e não uma promessa numa política de privacidade — essa é a diferença pela qual vale perguntar.

Três cartões por mês são gratuitos, não há assinatura, e o card na página de Ferramentas diz isso antes de você instalar qualquer coisa.

Escanear é a única coisa que o aplicativo não consegue fazer sem internet, e o card dele diz isso — a extração semântica é uma chamada de servidor. A decodificação do código de barras em si acontece no aparelho, e é por isso que o conteúdo nunca precisa viajar; sobre o quanto a palavra “sem internet” é usada de forma frouxa numa página de loja em geral, veja jogos para crianças que funcionam sem internet. O resto dos utilitários que fazemos está na página de Ferramentas; e se você estiver avaliando como um aplicativo é pago antes de instalar, quanto custa de verdade uma assinatura de jogo de raciocínio explica os três modelos e como distingui-los numa página de loja.

Perguntas frequentes

Por que não dá para adicionar meu cartão de fidelidade direto na Apple Wallet?
Porque um passe de carteira precisa ser criado e assinado criptograficamente por quem o emite, e quase nenhuma loja criou um. A Apple Wallet não tem como aceitar um cartão que nenhum emissor publicou.
Uma foto do cartão funciona no caixa?
Às vezes, e sem nenhuma garantia. Os leitores a laser de mão não leem uma tela de jeito nenhum; os leitores de câmera costumam ler, desde que o código esteja grande, nítido e com o brilho no máximo. Uma foto do cartão inteiro raramente atende a algum desses requisitos.
O Android tem um equivalente da Apple Wallet?
A Google Wallet aceita cartões de fidelidade, mas só de parceiros que os publicam. Para todo o resto, o que realmente funciona no caixa é um aplicativo que guarda o código de barras e o mostra em tela cheia.
De qual formato de código de barras eu preciso?
O que estiver impresso no cartão. Os comuns são Code 128 e Code 39 para os códigos de listras compridas, EAN-13 para o estilo de produto de varejo, e QR ou Aztec para os quadrados. Um número colocado no formato errado não é lido.
O número do cartão é enviado para algum lugar?
Depende do aplicativo, e é a única coisa que realmente vale conferir. Ler o cartão pode exigir um servidor; guardar e exibir o código, não. O conteúdo do código de barras não deveria precisar sair do aparelho depois que existe.

Aplicativos deste artigo

  • AI Wallet Pass — Fotografe um cartão de fidelidade e receba um passe na carteira.

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